quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ruído Tóxico Zine #1: Entrevistas


 
MISANTROPIA (Entrevista):

É um prazer entrevistar a banda Misantropia, afinal, são quase duas décadas de hardcore nas costas! Nos fale um pouco sobre esses quinze anos do grupo.

Durante esse quinze anos muitas coisas aconteceram. Como indivíduos a banda sempre nos propiciou um aprendizado muito grande, por isso até hoje estamos na batalha. Quando começamos nunca pensamos quanto tempo ela poderia durar, quando iríamos parar, o que sempre nos motivou e motiva até hoje é o anseio de construirmos um mundo melhor. Aprendemos com o tempo que uma banda tem não poder suficiente para mudar o mundo, mas aprendemos também que podemos lançar algumas sementes, despertar os questionamentos, tanto em nós como nos outros, e dessa forma fazemos germinar alguma coisa positiva. Quebramos a cara, fizemos amigos, alguns "amigos" nos transformaram em seus amigos intimos, descobrimos que não somos os donos da verdade, mas o principal é que continuamos vivos e acreditando que é possível construir um mundo melhor.

Recentemente vocês participaram de uma coletânea reunindo várias bandas em uma homenagem aos vinte e um anos da banda sergipana Karne Krua. Conte-nos como foi participar desse tributo.

A Karne Krua foi uma das primeiras bandas punks do nordeste que conhecemos. Eu, Sandney, escutei a Karne Krua numa coletânea em fita chamada BUS (Brazillian Underground Scene) e repassei rápido para todos da banda, que acharam o som irado. Comecei a me corresponder com o Sílvio e pouco tempo depois eles estavam tocando por aqui. Até hoje somos grandes amigos, o convite para participarmos da coletânea foi muito bem recebido, ficamos entusiasmados com a idéia, o mais difícil foi escolhermos as músicas, pois a Karne Krua tem vários sons que curtimos muito. O Alexandre Gandhi nos ajudou com algumas dúvidas que tivemos e o resultado final ficou muito bom. Quando pegamos e escutamos o CD achamos que a homenagem ficou muito boa, da capa aos sons está tudo em cima.

Quais as maiores dificuldades que vocês, enquanto banda independente, enfrentaram ao longo desses anos?

O momento mais difícil para a banda foi quando o Túlio, que tocava guitarra, saiu da banda. Passamos uns dois ou três meses procurando alguém pra ficar no lugar dele e nada, daí decidimos que o Sandney teria que ficar na guitarra e no vocal, quando fizemos isso superamos nosso momento mais difícil. As outras dificuldades que aparecem nos tiram do sério de vez em quando, mas aprendemos a viver com elas e superá-las, não dá pra reclamar de falta de espaço, de falta de apoio e coisas do tipo porque isso é comum para boa parte da bandas e temos realmente que correr atrás. Essas coisas não nos desanimam mais.

Misantropia

Gostaria de saber como era a cena hardcore aí em Maceió quinze anos atrás, e como anda a cena aí atualmente?

Antigamente tudo era bem mais difícil, não existia essa da família apoiar, a maior parte das pessoas que tinham banda normalmente encontravam resistência dentro de casa, espaço para show era complicado e a estrutura também deixava a desejar. O radicalismo era muito grande, quando você era novo na cena todo mundo lhe olhava meio de lado, o grande ponto positivo era que as pessoas batalhavam mais pelas coisas e a questão ideológica era muito forte. Não existia internet, mas as cartas funcionavam muito bem, muita coisa era movimentada por intermédio de cartas. Hoje em dia os shows rolam com mais freqüência, e a estrutura é melhor, as bandas já começam com instrumentos bons e há muita informação disponível. A internet derrubou muitas barreiras, vejo pais indo aos shows apoiar seus filhos e deixando na porta dos eventos, só que ao mesmo tempo que as coisas ficaram mais fáceis, a idéia de descartável é mais forte, apesar do grande volume de informação que há, da facilidade de acesso a essas informações, vemos muitas pessoas que não se questionam e não olham ao seu redor. a coisa toda parece um grande produto, são bandas que nascem pensando no sucesso, pessoas que consomem bandas e terminam não ligando no pensar, no questionar. Tudo vem muito mastigado e isso é ruim.

Vocês acreditam que é possível mudar essa realidade que vivemos?

A partir do momento em que cada um se tocar da responsabilidade que tem e compreender que para mudar o mundo, primeiro é preciso se revolucionar diariamente, a realidade vai começar a mudar. É fácil apontar o dedo para os outros, jogar a responsabilidade nos outros e não fazer nada. Esse estado de estagnação e de revolução verbal só faz perpetuar está realidade que nos cerca. Os exemplos que vemos de pessoas que tomam a iniciativa são a prova que quando alguém quer é capaz de causar uma revolução. Também temos que saber que não vamos conseguir mudar tudo de uma hora para outra, mas podemos mudar um pouco a cada dia.

A banda expressa em suas músicas toda sua insatisfação diante da realidade social e política em que vivemos. Como se dá o processo de composição musical e lírico da banda?

Escrever hoje é o nosso grande problema, Eu, Sandney, sempre fui responsável por fazer as letras e hoje sofro pelo ritmo da vida que levo. Não penso vou escrever sobre isso  e fico lá escrevendo, espero que algo ative o processo de escrita e aí sim a coisa sai natural. Com a gente normalmente o som fica pronto antes e depois , quando surge a letra, ela é encaixada no som. Estamos com dois sons novos, mas sem letra.

O que podemos esperar do Misantropia para 2007? Alguma novidade?

Bem, o grande projeto mais uma vez é o CD. Começamos em 2006, mas não fluiu legal e agora vamos começar tudo de novo. Estamos nos planejando para gravar em Abril ou Maio e depois vamos tentar tocar o máximo que pudermos. Adoraríamos conseguir agilizar uma turnê pelo Nordeste, mas não é algo fácil. É algo que sempre quisemos, mas até hoje não conseguimos fazer. Há planos para um site, onde pretendemos pôr os sons da banda e também ter um espaço para expormos nossas idéias, afinal, nosso maior objetivo é estimular os questionamentos.

Agradeço demais pela entrevista cedida, agora o espaço é de vocês para falarem o que quiser!

Queremos agradecer o espaço que foi aberto. É sempre bom podermos expor um pouco do que somos e pensamos. Como mensagem, queremos dizer que independente do som que você curta ou do que você gosta, nós não viemos ao mundo a passeio e somos responsáveis por tudo isso que nos cerca, por isso quanto mais cedo acordarmos e começarmos nossa pequena revolução diária, mais cedo ou mais tarde conseguiremos reverter esta situação. Alimente a sua mente, procure evoluir sempre, faça o melhor que você pode, seja solidário e aprenda com as diferenças.

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Putrefação Humana

PUTREFAÇÃO HUMANA (entrevista):

Pra iniciar essa breve conversa, nos passe a ficha corrida da banda.


A PH foi formada por Ricardo Core na guitarra e vocais, e Paulo na bateria e vocais em 89 na cidade de Penedo (interior de Alagoas) fazendo noisecore. Com a mudança de Ricardo para a cidade de Itabaiana (Sergipe) em 92, a banda se separa e fica alguns meses sem ensaiar. Ainda no final desde ano, Ricardo convida Cícero (vindo da extinta Liprofenia) pra bateria e Ailton Casca Grossa (RIP) pro vocal para reativar a banda. Com essa formação foi gravada em 94 a barulhenta demo "Colhendo Desespero". Ricardo sai e a banda se torna um duo, participando de várias gigs em Aracajú, dentre elas, "O dia do caos" em 95 que originou uma compilação em fita K7. Com a morte de Ailton em 96, a banda só retorna suas atividades em 97, agora com Carlos Salsicha na guitarra e vocais e Cicero Mago na bateria e vocais. Alguns materiais foram gravados com essa formação, entre elas "Excesso de Ódio" de 2000, um ano depois sai o CDr demo "Adom Itna Mos Mu" que rendeu várias apresentações dentro e fora do Estado. Em 2003 Ulisses assume o baixo e vocais, a banda grava alguns materiais, entre eles o caótico split tape com a Ação Positiva e o split CDr com o Rot em 2004. Atualmente a banda segue ensaiando, fazendo bastante barulho e planejando lançamentos!!!

Quais as maiores dificuldades pra manter uma banda no rolê independente em Sergipe?

Cara, o principal obstáculo que enfrentamos é a falta de bons equipamentos para execução e gravação, pois quanto a gigs e eventos, na grande maioria em que tocamos tudo é feito por camaradas ou nós mesmo no velho estilo diy.

Qual foi a melhor gig que a Putrafação Humana já tocou?

Michel, acreditamos que essa seja uma resposta individual... Para Carlos Salsicha muitas gigs foram boas, mas a que marcou foi a "Resultado da Miséria II", gig beneficente à construção de um espaço cultural alternativo na cidade de Natal (Rio Grande do Norte) em 2002. Cícero Mago ressalta o dia que a PH tocou em dois eventos distintos no mesmo dia , a gig "A Invasão" em Poço Redondo e "Hell Come Interlands" na cidade de Maruim ambas em 2004, feito alcançado graças a carona do brother Adelvan!!! Para Ulisses a banda se superou na gig de aniversário de doze anos da Sublevação, a PH exprimiu ódio em forma de grindnoise sem muitos intervalos, uma verdadeira porrada!

Vocês mantém outros projetos para além da PH?

Na verdade, os três membros da PH formaram um projeto em 2003 chamado Grind Revolution, sem registros lançados. 
Ulisses toca bateria na Cicatriz. Salsicha e Cícero fizeram parte da She Don't Like Jazz, além desse projeto, Cícero também participou de várias bandas ao longo desses anos, entre elas Plasma e Olho Por Olho.

Falem um pouco de como se deu a articulação do split com a banda paulista Rot.

Cícero já mantinha contato com Marcelo do Rot há alguns anos e o grande camarada Luiz Umberto, do selo Purgatorius Records (ex-Setembro HC Caos), fez a articulação do split que acabou sendo distribuído por mais quatro selos. A banda curtiu muito a idéia do split, apesar de não ficar totalmente satisfeita com o resultado das gravações feitas em estúdio.

A quanto tempo dura a atual formação da banda?

A atual formação já dura quatro anos.

O que a banda está confabulando para o ano de 2007?

Pretendemos lançar algum material só da banda e fazer uma mini turnê por Sergipe e Alagoas. Porra Michel, muito obrigado pela entrevista e mil desculpas pela demora, estamos bastante surpresos com o rumo que as coisas tomaram aí em Delmiro Gouveia. Bandas novas, Zines, atividade e uma energia da porra!!! Esperamos fazer barulho por aí novamente, valeu!





Um comentário:

  1. ola sou editor de um zine tambem aqui em uberlandaia seu zine e impresso ou so blog me avisa ai no mais e isto i vai ficar meu email para contato ludcarlos577@gmail.com

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