Entrevista publicada
originalmente em 2012.
Como é de praxe, um breve release da banda pra quem ainda não conhece o Violator.
Pedro Poney: O Violator surgiu em 2002, ou seja, estamos completando 10 anos de banda nesse ano e desde o início o espírito sempre foi o mesmo, nós sempre fomos quatro amigos, a gente se conhecia antes de saber tocar e qualquer tipo de técnica musical, e até conhecimento musical, então sempre foi uma coisa feita por quatro amigos que gostavam de estar juntos e conheceram esse estilo juntos, que é o thrash metal, então desde o começo a ideia e proposta da banda era fazer um thrash metal velho, que na época a gente não via por aqui, especialmente em Brasília, nossa cidade, que tinha uma cena metal que estava mais ligada a essa coisa do metal melódico e tal, esses power metal ruim ou então new metal também e a gente detestava tudo isso, e desde então a gente fez duas turnês na Europa, Japão, lançamos 3 discos, DVD, tocamos na América do sul toda e por todos lugares do Brasil, mas eu acho que o espírito continua o mesmo, que é essa coisa de uma simplicidade muito ligada a ética do "faça você mesmo" que é uma coisa muito importante pra gente e essa ideia de serem quatro amigos mesmo e todas nossas relações serem baseadas no underground e na amizade antes de grana ou profissionalismo ou qualquer coisa do tipo, a gente vê no underground um espaço que a gente pode produzir por paixão e baseado na amizade, então eu acho que o Violator é mais ou menos isso.
Que temas o Violator aborda em suas letras? Existe uma preocupação da banda em relação a isso?
Bem, existe uma preocupação muito grande, desde o começo da banda, quando eu acho que ainda tinha uns 16 anos, os temas, o que a gente ia falar nas letras era uma coisa muito importante, até porque esse tipo de conteúdo que é específico do thrash, foi uma das coisas que me encantou a princípio, ainda mais numa época que tinha muito dessa coisa, como falei do metal melódico e tal, que era uma coisa que eu particularmente não gostava, tinha muito essa coisa do metal estar ligado a uma fantasia, a um outro mundo, um mundo de fadas e dragões e tal, ou então tinha uma coisa de você ser um personagem meio malvadão sabe, e o thrash não, ele era esse metal com os dois pés no chão, o que pra mim era muito interessante, então desde o começo o Violator, mesmo na primeira demo que a gente fez em 2002 existia uma preocupação dos conteúdos da banda refletirem a realidade e de alguma maneira serem socialmente relevantes ou politicamente críticos, sempre foi uma preocupação da gente, claro que variando os temas, eu acho que de uns tempos pra cá, especificamente no último material que a gente lançou, o "Anihhilation Process" essa preocupação das letras ganhou ainda mais força, a gente fez um disco que tem uma veia política mais explícita e que a gente pega mais nessa coisa da realidade, tentando fugir dessa coisa de refletir devaneios, sonhos, esse tido de coisa e falar sobre coisas concretas do que a gente vive, e no disco novo que estamos pra gravar agora, posso falar sobre isso um pouco mais pra frente, essa vontade de falar sobre o mundo que a gente vive, especialmente no lugar de fala que é um lugar sul-americano, de terceiro mundo é muito importante pra gente, então você tem letras que falam sobre os horrores da guerra até letras que falam sobre pena de morte, se colocando claramente contra e questionando o nosso sistema de justiça, tem letras sobre moradores de rua, letras sobre uma gama de assuntos que a gente considera relevantes e eu estou tentando desenvolver isso ainda mais pra esse disco novo, tem também letras sobre a cena, sobre o thrash, mas mesmo as letras que falam sobre a cena, tem uma preocupação de não ser simplesmente uma coisa vazia, mas de repente falar sobre nossa paixão por esse espaço, pelo underground, por essa produção "faça você mesmo" e de como isso é um espaço de resistência mesmo, de não se conformar, de não pensar igual a todo mundo e tal, acho que tem essa preocupação mesmo.
Fale um pouco sobre as apresentações da banda pelo nordeste e como é fazer shows fora do eixo sul/sudeste. Existe uma receptividade diferente do público?
Em todas as entrevistas que costumo dar, inclusive nas entrevistas pra gringa eu sempre destaco que os lugares mais insanos em termos de público, que existe uma troca mais intensa de energia são definitivamente os países daqui da América do sul, especialmente Chile, Colômbia, Peru, o nordeste e o norte do Brasil, pra mim o thrash faz mais sentido quando a gente tá no show ali, que nem necessariamente precisa ter um palco, as vezes quando não tem palco é melhor ainda e ali a gente pode fazer aquela intensa troca de energia, pra mim isso é muito importante, é onde o thrash faz mais sentido e isso acontece ainda mais no nordeste, parece que em algumas cidades as pessoas se deixam contaminar por uma apatia, na verdade a gente vive num sistema que está constantemente nos alimentando de apatia, então eu vejo os shows como um lugar que temos pra romper com essa apatia, da gente liberar nossas energias e tudo mais, e no nordeste isso é muito forte, e todos os shows aí sempre são muito bons, eu gosto muito, sou filho de cearenses, o Capaça é cearense também, então a gente tem uma conexão e uma história que talvez seja até difícil dizer em palavras, mas que é muito forte cm o nordeste.
Você acha que revistas como Rock Brigade e Roadie Crew tem algo a oferecer a cena underground ou servem apenas pra exaltar o mainstream servindo como “caça-níqueis”?
Bem, eu acho que o underground não tem que depender dessas revistas, eu poderia dizer isso sabe, eu acho que a ideia do underground é a gente aplicar essa lição, essa ética do “faça você mesmo” para nossas vidas nos mais diferentes estágios, isso significa que se você não está vendo as bandas que você gosta numa revista, você cria um zine, entrevista as bandas que você quer entrevistar, escreve sobre os discos que você quer escrever e não fica na dependência de uma publicação que a gente sabe que a Rock Brigade e a Roadie Crew e tantas outras revistas que tem na gringa, tem um funcionamento específico, que é um funcionamento de empresa, então, atende a determinados interesses, tem um funcionamento que não é exatamente o mesmo funcionamento do underground, eu acho que a gente não tem que ficar na dependência dessas revistas não, por isso faço questão de responder da melhor maneira possível todos os zines que entram em contato com a gente, porque os zines são a espinha dorsal do underground como diria nosso camarada Felipe CDC do Terror Revolucionário aqui de Brasília, é a nossa maneira de produzir nossa própria informação e isso é muito importante, não ficar na dependência de nenhuma empresa ou coisa parecida pra oferecer informação pra gente, mas, a gente criar nossa própria informação, isso é muito bacana.
Membros da banda estão envolvidos em projetos paralelos como o Possuído Pelo Cão e Cidade Cemitério, existem outros? Fale sobre eles.
Eu canto/grito no Possuído Pelo Cão, que é uma banda thrashcore/crossover ou como você queira chamar, é um som rápido influenciado por thrash metal e hardcore, a gente acabou de gravar umas 5 músicas novas que vão sair em breve num split com uma banda americana chamada Conquest For Death, eu também toco guitarra numa banda punk rock chamada Cidade Cemitério, a gente lançou em fevereiro um smd chamado “Asa Morte”, agora em agosto estamos lançando um novo material split com uma banda do Ceará chamada Skate Pirata, o nome do split é “Rolê Pagão” e é uma banda de punk rock tipo Black Flag, Poison Idea, esse tipo de som punk velho americano, eu tinha uma outra bandas com outros caras do Violator, o Batera e o Capaça chamada Scumbag, era uma banda de death/grind na linha que o Napalm Death/Defecation/Terrorizer faziam, mas a banda meio que morreu e eu queria muito retomar porque eu sou doido pra voltar a tocar grindcore, o Capaça e o Batera estão com uma banda nova de death metal que se chama Considered Death, fizeram a estreia deles mês passado, vão fazer um show agora no final de junho e estão pretendendo gravar até o segundo semestre, é sensacional a banda, numa pegada meio death metal da florida velho, tipo aquelas bandas que o Scott Burns gravava no comecinho dos anos 90, o Cambito toca mesmo antes de entrar no Violator, ele canta e toca guitarra no Slaver que é thrash metal old school sensacional e tem uma pegada meio Kreator e tal, acho que no começo era mais Alemanha tipo Exumer talvez, Umas coisas assim, depois foi evoluindo pra um lance meio Kreator no “Extreme Agression”.
Qual sua opinião sobre essa divisão uma vez implantada que persiste em existir entre a cena metal e hardcore? Você enxerga essa divisão no público do Violator?
Violator 2012, o que vem por aí?
A gente está nas vésperas de nossa terceira turnê na Europa, as datas devem sair essa semana ainda e a gente vai gravar um disco lá, vai ser a primeira vez que vamos gravar um disco fora de Brasilia, o que pra gente é um grande acontecimento, vamos gravar com um produtor chamado Andy Classen que é um cara que fez os discos do Tankard, gravou os últimos discos do Krisiun e vai ser um full-length com nove músicas, em breve a gente deve tá liberando o nome do disco, as músicas, eu pretendo fazer de repente uma grande exposição sobre os temas das letras, estou bem interessado em conversas sobre isso com as pessoas, sobre o que tratam os temas e tudo mais, então temos esse grande plano agora pro meio do ano, são duas semanas de shows na Europa e duas semanas de gravação lá, quando voltar os planos são lançar o disco novo, lançar o DVD que a gente gravou ano passado e tocar o máximo possível, já tem uma porrada de show marcado e a ideia é essa, a gente trabalha de segunda à sexta, ninguém vive da banda e nem é pretensão nossa fazer dinheiro com a banda, então, a ideia é manter esse ritmo que tá muito bom de conseguir conciliar as coisas, tocando o máximo que a gente puder, viajando o máximo que a gente puder, conhecendo um monte de gente legal, comendo umas comidas legais de preferência pegando umas praias, é isso aí.
Bem, eu que agradeço Michel e o Ruído Tóxico Zine, muito obrigado pela entrevista, desculpa a demora em responder, agradeço mesmo a todo mundo que apoia o Violator e que de alguma forma dá apoio mesmo pra banda, a gente não quer que exista nenhum tipo de divisão na cena entre banda e público, a gente faz parte de uma mesma comunidade e não tem que existir uma barreira ou nenhum tipo de pedestal entre banda e público, isso pra mim é muito importante falar nas entrevistas, muito obrigado mesmo aí pra todo mundo, a gente se vê e se fala aí, valeu!



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